segunda-feira, maio 28, 2007

De onde caem as palavras

Tic-tac, tic-tac... O tempo vai passando, minuto a minuto, segundo a segundo... Preciso encontrar as palavras certas, o jeito certo de escrever, mas sinto que todas as letras fugiram de mim. O tempo esgotando, as palavras faltando, sinto um nó na garganta. Tenho prazo. Não sei o que aconteceria se não entregasse estas palavras, mas não estou disposta a descobrir.
Tantas outras palavras me vêm, tantos outros textos inundam meus olhos, mas nada das palavras certas. Talvez certas para qualquer outro momento. Não certas agora, para o que eu preciso.
Tic-tac, tic-tac... Maldito som me avisa que o tempo está se esvaindo. A página em branco, o tempo acabando, meu peito explodindo numa mistura de medo e ansiedade...

Postado por Chihô às 9:50 AM

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terça-feira, janeiro 16, 2007

Através (continuação)


A visão dos cacos reluzindo no chão a deixou desesperada. Tivera nas mãos tão perfeito e misterioso objeto e deixou, por puro descuido, que ele se quebrasse. Por um instante, quis apenas chorar, mas achou que seria melhor consertar o que tinha destruído.

Ajoelhou-se e recolheu, cuidadosamente, cada caquinho que estava no chão de seu quarto. Com os fragmentos, do que havia sido uma linda esfera, ela dirigiu-se para sua mesa e lá os depositou. Esticando um pouco o braço, alcançou o tubo de cola. Olhou novamente para o amontoado de caquinhos a sua frente. Pegou um deles e observou. O fragmento guardava a beleza do objeto original. Lembrou-se que pode ver seu passado feliz dentro da esfera transparente, de maneira mágica e que ela não podia explicar. O objeto estava destruído. Talvez fosse um sinal de que seu passado de momentos felizes também estivesse acabado, em pedaços.

Reunindo coragem e paciência, tomou entre os dedos outro caco. Tentou juntar os dois, mas não se encaixavam. Pacientemente, foi tentando montar o quebra-cabeças. Talvez nunca conseguisse. Se conseguisse, o objeto jamais teria a perfeição de antes...

Ps: A primeira parte deste conto encontra-se aqui.

Postado por Chihô às 8:56 AM

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quinta-feira, setembro 07, 2006

Ele disse, ela disse ou Amor em tempos de Orkut

Ele disse: Ela é a pessoa mais doce que eu já conheci. Trata a todos com muito carinho, tem um sorriso de ternura. Comigo, então... Está sempre ao meu lado e parece entender sempre do que eu preciso. Parece que a qualquer momento vai pegar-me no colo e afagar-me. Ela me faz sentir aconchegado.
Ela disse: Ele é extremamente gentil e prestativo. Está sempre querendo ajudar. Gosta de me proteger, de me cuidar. Eu me sinto segura ao lado dele.
Ele disse: Ela é bonita, uma beleza natural, que não precisa de artifícios. Mesmo assim, está sempre bem produzida. E assim, ela fica ainda mais bela. É linda.
Ela disse: Ele tem o sorriso mais lindo que eu já vi. Os olhos dele transmitem sinceridade. Tem um belo corpo, sem exageros, natural e bonito. Lindo!
Ele disse: Às vezes, eu não a compreendo. Ela chegou bastante irritada, não me dirigiu uma palavra, sequer respondeu ao meu "oi". Perguntei o que havia acontecido e ela, olhar acusador e braços cruzados, disse que não era nada. Não compreendo.
Ela disse: Encontrei um scrap de uma garota no Orkut dele. Era uma garota bonita, pouco mais jovem do que eu. Ele nunca tinha falado sobre ela, mas eles parecem íntimos. Ah... Meu sangue ferveu... Ele veio falar comigo, todo sorridente, como se nada tivesse acontecido. Cínico!
Ele disse: Queria mesmo saber o que a deixou tão zangada. Eu não gosto quando ela fica assim... Eu gosto tanto dela...
Ela disse: Ele perguntou por que eu estava brava! Dá para acreditar? Não é possível que ele não saiba!
Ele disse: Às vezes, ela é tão complicada...
Ela disse: Às vezes, ele é tão burro!

Postado por Chihô às 7:44 PM

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domingo, agosto 20, 2006

Para que meu blog não seja excluído, eu resolvi postar uma das minhas poesias favoritas, da incrível Cecília Meirelles.

Lua Adversa

Tenho fases, como a lua
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha.

Fases que vão e que vêm,
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.

E roda a melancolia
seu interminável fuso!
Não me encontro com ninguém
(tenho fases, como a lua...)
No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua...
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu...

Postado por Chihô às 8:09 PM

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quarta-feira, julho 12, 2006

Castelo de areia

Sentados na areia, próximos ao mar, duas crianças: um menino e uma menina. Ela pega os punhadinhos úmidos de areia e constrói um castelinho. Embora descontraída, ela encara sua "construção" com responsabilidade. Ele resume-se a observar e, vez ou outra, acrescentar um punhadinho de areia ou ajeitar algum detalhe. Para ela, o castelinho era uma construção dos dois, portanto, ela quer dar o melhor de si. Ele sorri como se para ele aquilo tivesse a mesma importância. Para a menina, aquele sorriso e as pequenas contribuições do menino bastam. São, a seu ver, o modo particular daquele garotinho demonstrar que está envolvido na contrução tanto quanto ela.

Repentinamente, o menino se levanta. Olha mais uma vez para o castelinho, já em fase adiantada. Sem demonstrar qualquer sentimento, chuta a construção, destruindo-a, mas não por completo. Em seguida, se senta e sorri para a menina. Ela sorri em retorno. Na verdade, quer chorar, quer agredí-lo, mas apenas finge que está tudo bem. E, agindo naturalmente, ele coloca um novo punhadinho de areia para reconstruir o castelo. A menina, como esquecendo-se do que acabara de acontecer, sente seu coração alentado e volta a trabalhar naquele castelinho que, para ela, é dos dois.

Mais uma vez, o menino destrói e volta a contruir. Destrói e volta a construir. Com o coração já esmigalhado, a menina não reage. Já não acredita que aquela construção é dos dois. Agora, não é mais nem dela, pois ela não põe seus mais profundos sentimentos naquilo. Age mecanicamente, sorri, mas esconde uma dor profunda que, provavelmente, jamais deixará o menino saber.

De sorrisos falsos, alguns verdadeiros, dores, alegrias, mas nenhum envolvimento mais profundo, a construção segue. Talvez nunca tenha fim. Talvez, acabe sem que o castelo seja totalmente restaurado...

Postado por Chihô às 10:13 PM

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sexta-feira, junho 16, 2006

O senhor Bonzinho

O senhor Bonzinho é sempre gentil com todos. O senhor Bonzinho gosta de ser prestativo. O senhor Bonzinho sempre tem um sorriso no rosto. O senhor Bonzinho tem um olhar especial. O senhor Bonzinho trata bem quem se aproxima. O senhor Bonzinho gosta de animais. O senhor Bonzinho tem sempre palavras de consolo. O senhor Bonzinho dá apoio e dá abrigo. O senhor Bonzinho fica feliz em ajudar. O senhor Bonzinho não distingue o bem do mal. O senhor Bonzinho só vê a bondade. O senhor Bonzinho quer fazer todos sorrirem. O senhor Bonzinho é bom até com quem o magoa. O senhor Bonzinho nunca se mostra magoado.

Mas, com sua gentileza, o senhor Bonzinho também magoa. Quando faz sorrir, o senhor Bonzinho também faz chorar. Ele preocupa quem gosta dele quando é bom com quem é mau, quando é gentil como que o magoa, porque quem o ama não quer que ele seja magoado. O senhor Bonzinho confunde. Por estar sempre sorrindo, não se sabe se seu sorriso é verdadeiro. Por ter um olhar especial, não se sabe se seu olhar é sincero. Sendo bonzinho com todos, não se sabe se ele gosta de alguém. Com seu sorriso constante, não se sabe quando ele sofre. Ninguém pode dizer que conhece de verdade o senhor Bonzinho, porque, talvez, sua bondade seja fachada. O senhor Bonzinho não é tão bonzinho assim...

Postado por Chihô às 8:55 PM

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domingo, maio 21, 2006

Hontou no kimochi


- Eu te amo, seu idiota! - as palavras saíram de sua boca como um tiro e, como um tiro, era impossível que voltassem atrás.


Logo após proferir estas palavras, ela sentiu uma profunda vergonha, misturada com espanto e raiva de si mesma. Não podia acreditar que havia despejado palavras tão irresponsáveis. Como que instintivamente, levou as mãos ao rosto, tentando escondê-lo, virou-se e correu. Ia pensando que nunca devia ter feito aquilo, que foi estúpida e que, embora fosse verdade, não era algo que ela devia ter revelado. Pelo menos, não daquela maneira, não naquele momento. Por que ele foi provocá-la daquele jeito? Ele a estava irritando com suas brincadeiras. Ela, na tentativa de agredí-lo, acabou revelando seu maior segredo: o amava. Agora, as palavras estavam soltas no ar e ela nada mais podia fazer, apenas esperar os resultados de seu momento de disparate.


Ele ouviu aquela frase e ficou imóvel. Sentiu como se tudo estivesse congelado, como se não houvesse mais nada nem ninguém ao seu redor, apenas aquela frase ecoando na sua cabeça. Seria verdade? Ele gostava dela demais, mas não esperava que ela sentisse o mesmo e, menos ainda, que ela fosse revelar daquela maneira, naquele momento. Ele a estava provocando porque adorava vê-la brava, isto a deixava ainda mais bonita. Não podia imaginar o que aconteceria. Depois de ficar completamente estático, pensando sobre o que acabara de acontecer, ele finalmente conseguiu se mover e tentou alcançá-la. Só então notou que ela já não estava mais parada na sua frente, mas corria. Ele foi atrás dela, temendo que ela tivesse dito aquelas palavras apenas para brincar com ele e que tudo aquilo não fosse verdade. Como ela podia brincar assim com seu coração?


Por fim, ele conseguiu alcançá-la. Segurou-a pelo braço, um tanto violentamente, o que a fez parar e mirá-lo. Agora, seus corações estavam acelerados e o rosto da garota estava ruborizado, enquanto eles se olhavam fixamente. Sem dizer uma palavra, ele tocou os lábios da garota com seus lábios. Beijaram-se como há muito desejavam. E ambos souberam ali que havia entre eles um sentimento verdadeiro.

Postado por Chihô às 4:37 PM

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